Drink something green

Outubro 6, 2009 - Comentários desativados

I went about looking for life as if it were a glove I’d lost and I were Alice’s rabbit late for a date. As a consequence, all I enjoyed was the shallow self-absorption of youth: I saw nothing but myself seeing, heard nothing but myself breathing, found nothing but the discarded wrapper of my own conceit, felt nothing genuine except concealment. The handicapped, especially the blind, the hungry and infirm, are often driven like stakes into their own hearts. Unmaimed, not in pain or aged, my eyes were nevertheless turned up toward the top of my head as though I were most at home in a faint.

gass-yadoo

There are no poets, there are only poems. But in my youth I wished to be a poet. Then I might write poems. Beneath a tree. On flyleaves. I would breath them down necks shaped like swan or like similes; I would sing them to empty skies and cause larks. I would wear my hair long, wind ribbons round my throat, lounge in gardens, affect TB, smoke incessantly, drink something green. Yes, how to be a poet, that was the problem.

Girls liked poets. Why? They didn’t like poetry. They liked the idea of poetry; they liked boys who sounded sensitive, soft as themselves, malleable; they were sentimental, girls were, desiring the valentine life and someone to share it; so I went about ardently contriving poetic moods, seeking relief for dreams of my imprisoned self, looking for basins to piss my passions in. Posturing like a puppet. Putting on airs, adopting poses and opinions, dancing the Ol’ Ez, the Oscar Wilde Waltz, reading Huneker and Huxley, chanting Wolfe and Whitman, rehearsing GBS’s scornful jibes, while on no account venturing the heroic closure of a single couplet.

Setembro 18, 2009 - Comentários desativados

@joaquimnabuco e essa foi a minha

SNV35688

E também pode ser uma sugestão para uma edição mais atualizada deste livro. Caiu fora Caio e Florestan.

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P.S. confissão: ia fazer um trocadilho tipo “Ser ou não Sertão”, mas infelizmente o Google me informou que esse trocadilho já foi feito por outra pessoa. E não foi com finalidade gargalhítica; o que torna tudo muito mais difícil para todos nós.

Setembro 17, 2009 - Comentários desativados

Dualidades, universos paralelos, máquina do tempo, magnatas malvados, slapstick, criminosos e detetives atrapalhados… Em 130 páginas John S. fez um serviço muito melhor que nosso querido Tommaso. Pelo menos eu me divirto (há quase 20 anos) mais com o primeiro do que co’os últimos Pynchon. “Mas e a Literatura, cara? Porra, Pynchon não é tipo ‘humor’ coisa e tal, é altas filosofias, ciência…” Ah é, a literatura…
swarmelhorpync

Hamlet > Marcos Mion

Setembro 17, 2009 - Comentários desativados

Clica.

TOP HC

Setembro 15, 2009 - 7 Responses

Não pode ser melódica demais; não pode ser rápida demais (saem Crust e Death Metal); e de preferência com breakdown. E não pode ter uma veia muito Europa porque vira anarco, D-beat etc.
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Setembro 3, 2009 - Comentários desativados

inherent

A piada, o Google e a realidade

Agosto 22, 2009 - 2 Responses

Há algo pior do que ver o Google destruir uma piada mostrando que outra criatura por essa internet de deus já fez a mesma piada: é o Google mostrar que a piada já foi feita pela realidade.

A piada era: “E essa hipsterada toda  que louva a Amy Winehouse… Onde eles estavam durante os anos 80 que não louvaram a Neuzinha Brizola?”

A própria Neuzinha já fez há um ano e eu nem soube.

História Mexicana da Infâmia – A lenda de Cirilo

Agosto 22, 2009 - 4 Responses

É tão velho que nem lembrava do texto. Ficou aguardando publicação no Manobra 1979. Descobri agora, procurando um botão para deletar o blog. E não achei agora como já não tinha achado quando acabou. Como não tenho publicado nada:

História Mexicana da Infâmia

I. A Lenda de Cirilo Rivera

Feito todas as crianças pobres e negras do México, Cirilo Rivera foi ridicularizado; como todas, também sonhou. Conhecia o escárnio e a doçura: esta, dos pais; aquela, do mundo. Na infância, Cirilo desejou com sofreguidão um carrinho motorizado. A razão é a seguinte: carrinhos motorizados impressionavam as meninas ricas da Cidade do México, e Maria Joaquina, paixão de Cirilo, era uma dessas meninas ricas e brancas – quase tão branca quanto rica e só mais arrogante que rica, embora fosse também mais arrogante que branca, até porque arrogante era o que ela mais era, mas cito a brancura e a riqueza porque esses são aspectos evidentes dela – que se derretiam por meninos com carrinhos. Mais dono de uma extravagante ingenuidade do que de uma portentosa fortuna, Cirilo via no mini-carro de corrida a única chave capaz de abrir os portões do coração de Maria Joaquina. Falo do México, mas não deve ser estranho para o leitor: os carrinhos eram tão admirados quanto caros; e os tais mini-carros, apesar de serem 5 ou 23 vezes menores do que os carros originais, custavam a bagatela que de mini nada tinha, tornando-os, assim, inacessíveis à família Rivera. O que a família tinha, apesar da pobreza, era amor. E o pai de Cirilo o amava tanto que não titubeou, resolveu fazer em casa mesmo um mini-carro para que o filho impressionasse a tal menina rica. Era carpinteiro, e da construção de carros seu conhecimento passava longe, longe do suficiente – “mas nada que uma boa estudada em velhos manuais de engenharia mecânica e elétrica e um pouco de física não resolvesse”, pensou ele. Enfim, o velho pai construiu um automóvel para o menino. Cirilo era só alegria. Tinha um mini-carro perfeito e idêntico aos modelos vendidos em lojas. Agora Cirilo poderia impressionar a Maria Joaquina. E foi o que o danado do moleque fez.

Algumas semanas mais tarde, Cirilo surgiria com um novo problema: em breve o famoso benfeitor da escola faria uma visita, e todos os alunos, claro, comprariam sapatos novos para receber tão nobre senhor. Como o próprio Cirilo não soubesse da necessidade de estar um primor na presença do benfeitor, a diretora, tacanha que só ela, não perdia a chance de lembrar os alunos da necessidade de estarem vestidos com grande apuro. Sob a influência dos coleguinhas, Cirilo pediu ao pai novos sapatos, e recebeu imediatamente de volta em seus ouvidos a sangrenta mensagem da tragédia econômica: não havia dinheiro para lhos comprar. Ah! com que tristeza o pai viu as lágrimas escorrendo pelo rosto do filho; e ah! com que presteza ele mesmo se pôs a fazer os sapatos. Repito: ele era marceneiro, mas, ora essa, já não havia construido um carro para o moleque? E não é que o pai fez lindos sapatos para o filho? Ficaram iguais aos sapatos expostos nas melhores lojas. Cirilo estava que não se continha.

O tempo passou e surgiu um novo problema: Cirilo precisava ler um certo livro e sobre ele fazer uma redação. Sendo a escola muito pobre, indigna para oferecer muitos volumes dessa obra, Cirilo não conseguiria fazer sua lição. Ele – como se pode imaginar – pediu o livro ao pai, que se negou a comprá-lo em virtude do preço. A saída foi repetir as soluções anteriores. O pai resolveu escrever ele mesmo o livro. Com se só possuísse os conhecimentos da marcenaria, tratou de ler sobre o assunto do livro: tratava-se de um anacrônico cavaleiro espanhol e seu ajudante. Leu o que pôde sobre os romances de cavalaria; pesquisou sobre a Espanha do século XVII; estudou a prosa barroca; e meteu-se a escrever um livro exatamente igual, linha por linha, palavra por palavra, àquele que o filho precisava ler. A obra, em seus dois volumes, ficou pronta a tempo. No intuito de fazer a melhor redação, o pobre Cirilo adentrou inúmeras madrugadas a ler as aventuras e desventuras de um amalucado e apaixonante cavaleiro chamado Ismaelito e seu ajudante Cornélio, que, juntos, seqüestraram, estupraram, mataram e canibalizaram 16 meninas em oferendas ao deus OPTJ, senhor das aldeias OP, UIO, UQP e GTRGJOO.

Por uma desgraça dessas, o livro caiu nas mãos da diretora. A danada considerou um absurdo a história e imediatamente chamou a polícia para prender o pai de Cirilo. E o coitado foi preso. Mas o México, sendo um país muito pobre, não tinha dinheiro para construir cadeias. O pai de Cirilo, bom feito um santo, teve então de construir ele mesmo sua cela. E lá morreu.

Duas coisas

Julho 23, 2009 - Comentários desativados

Juntando duas coisas: a lembrança de Pedro Sette Câmara (citando Girard) sobre as raízes cristãs da defesa da vítima; 1 e a morte de Kolakowski, que escreveu algo parecido quando, comentando o ocidental «ver as coisas com os olhos dos outros», disse:

I only want to express my suspicion that modern humanism, born of the Christian tradition and about to turn against it, seems to have reached the point of turning against the humanum itself.

[...]

A Christian inspiration may also be seen at the roots of the ideas upon which democracy was founded [...] the theory of inalienable rights of man was developed from the Christian idea of a person as an inexchangeable value. Again, this theory was to establish itself despite resistance from the Church; and later, when its various imperatives proved less than perfectly compatible, and the idea of the State as the distribuitor of all material and spiritual goods took precedence over the idea of the inviolable rights of persons, it turned against itself. Thus the rights of man became the right of the State to possess man, and a foundation was laid for the idea of totalitarianism.

[...]

Everywhere we find the same doubtly self-destructive process. The Enlightenment emerges from a reconsidered Christian heritage; in order to take root, it must defeat the crystallized and ossified forms of that heritage. When it does begin to take root, in an ideological humanist or reactionary shape, that is, in the shape of the Reformation, it gradually drifts away from its origins to become non-Christian or anti-Christian. In its final form the Enlightenment turns against itself: humanism becomes a moral nihilism, doubt leads to epistemological nihilism, and the affirmation of the person undergoes a metamorphosis that transforms it into a totalitarian idea. The removal of the barriers erected by Christianity to protect itself against the Enlightenment, which was the fruit of its own development, brought the collapse of the barriers that protected the Enlightenment against its own degeneration, either into a deification of man and nature or into despair.

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1. Há trecho no mesmo livro, p. 208, em que Girard fala do apedrejamento, e demonstra como as modernas sensibilidade e aversão ao apedrejamento são cristãs.

Retroceder Nunca, Render-se Jamais é melhor que Shakespeare

Julho 14, 2009 - Comentários desativados

Muitos dirão que o título deste ensaio visa tão-só a polêmica. Pois se distanciará da verdade quem assim pensar. O filme Retroceder Nunca, Render-se Jamais (RNRJ) supera a obra do dramaturgo e poeta William Shakespeare. Na verdade, e conforme veremos, RNRJ apresenta enormes semelhanças com o que escreveu o bardo; mas não só se assemelha: recria e supera as peças em síntese, complexidade e veracidade. Isso é o que veremos a seguir.

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Caco Barcellos e a Angularidade Testemunhal

Junho 17, 2009 - Comentários desativados

Todos nós sabemos que os jornalistas nunca olham de frente para a câmera quando dizem a verdade. Entretanto, poucos analisaram e se valeram da questão da Angularidade Testemunhal tão bem quanto Caco Barcellos. O repórter da TV Globo ficou famoso por ter escrito o primeiro livro angulado da história humana, Cacofilia: memórias minhas ou nossas? Acho que vale lembrar como tudo aconteceu.

Trecho da famosa entrevista de Caco Barcellos ao Pasquim 21, em 12/03/2004

Ziraldo: Mas a publicação de Caco: memórias minhas ou nossas? também marcou, é um livro recente mas marcou, ou eu estou falando merda?

Caco: Não, é isso, sim. Vou te contar a história. Eu tinha que escrever o livro, certo? Minha autobiografia. Ai um dia eu estava conversando com uma menina estagiária, muito burra por sinal, e ela não estava só querendo ‘informação’. Ela queria uma relação humana…E eu disse pra mim: Caco, vira a cabeça pro lado, do jeito que os grandes jornalistas fazem quando dizem o que sentem fora do ar. E de repente, sem pensar eu resolvi falar algo que não era só verdade, era a verdade com um pouco de carinho também, um pouco de compaixão. Assim eu virei a cabeça pro lado, assim na diagonal dela, e falei o que tinha de falar… E Bang! Isso foi quando? 99, 2000, não lembro. Então quando eu escrevia minhas memórias eu relia e não sentia aquele sentimento autêntico, aquela forma humana de ver as coisas.

Jaguar: Você achou que estava meio frio. Geladaço!

Caco: Total! Eu pensei: Gente, tá consagrado! Quando o jornalista fala a verdade, e não a Verdade, a verdade fica mais Verdade que a Verdade. Então eu resolvi escrever minhas memórias na diagonal do leitor, porque é na diagonal que a verdade verdadeira ‘acontece’. Diagonal = verdade + humanidade. Pensei: por que não deixar o texto na diagonal? Por que não olhar na diagonal, pombas, longe das ‘verdades acadêmicas’, das ‘certezas ultrapassadas’? (Caco pede que os editores coloquem aspas nos pontos de interrogação. Há uma discussão. Caco diz que fez perguntas mas não Perguntas, é mais uma afirmação de vida, uma Pergunta Sócio-Consciente. Ele debatem sobre o ?, sobre !. Resolvem seguir a entrevista.)

Ziraldo: E a reação da editora?

Caco: Sim… Liguei pra eles e disse ao Sampaio (Jorge André Sampaio, vice-presidente da Editora Record): vocês têm que publicar o texto virado! O texto já estava na gráfica, vocês imaginam. Eu disse: eu quero o texto virado, meio de lado, tipo quando… E ele desligou na minha cara. Depois a gente riu. (Risos) Ele achou que era trote, o Sampaio. (Ziraldo balbucia algo incompreensível) Pois é, eu expliquei e tal e eles entenderam. A única coisa que eles pediram foi que o nome deles não aparecesse no livro, nem o nome dos editores coisa. Sairia com a capa toda branca e só com Caco Barcellos e o nome do livro, mais nada. E que eles negariam até morte qualquer ligação com o livro. Segurei a bomba e disse simbora.

Ziraldo e Jaguar, juntos, ao mesmo tempo: Mas não foi a primeira vez que você fez algo no gênero.

Caco: Nada. Em 91 ou 92, não sei, eu fiz uma reportagem para a TV Globo de costas para a câmera. Eu imaginava na época que isso era a afirmação da vida, um questionamento da relação ultrassóbria do jornalismo. Estava enganado. Eu era na verdade o mesmo, só que o contrário. Era a antítese do que odiava, mas na prática eu era tão reto quanto eles. Mais tarde, acho que estamos falando de 96, eu fiz outra reportagem, agora sobre o garimpo de Vargens-MT. Essa eu gravei de lado para a câmera.

Trecho do capítulo Menos Jornalismo e mais Gentilismo

Trecho do capítulo Menos Jornalismo e mais Gentilismo

Ziraldo, através de um toca-fitas que ele deixou na sala programado para fazer esta pergunta de 5 em 5 minutos: Era mais uma experimentação…

Caco: Era mais uma experimentação, claro. Ora, era o que me fascinada! Só que essa nunca foi pro ar. Eu aliás quase fui mandado embora da Globo. Quem me salvou na época foi o Toninho…

Jaguar: Toninho Silvestre, da Revista Cruzeiro, e que casou com um travesti e foi morrer de cirrose lá na Bahia?

Caco: (Silêncio) Não, acho que esse é outro Toninho, Jaguar. Falo do Toninho Pereira, diretor da Globo. Mas tudo bem, esquece. A reportagem essa que eu inovei foi no garimpo, e era o seguinte: queria mostrar a relação de ouvinte. Eu não era o cara de frente, que falava olhando para o telespectador. Não era o Hitler com o microfone na mão dizendo para o cara em casa: aconteceu isso, aconteceu aquilo. Por que, eu me perguntava, aconteceu mesmo? Será que aconteceu? Se aconteceu, por que eu estou tão triste? Não queria isso. Então fiquei de lado. O telespectador só via minha orelha. Eu era o cara de lado, com o ouvido pronto para escutar, aprender com o telespectador. E apesar disso, ainda não era o caminho…

Jaguar: Você achava que não era…

Caco: Não!, não era o caso de virar de costas, virar o ouvido para o telespectador, era o ângulo, onde se escondem as verdades mais profundas. O ângulo! Entende, Jaguar? Era isso que me havia levado ao jornalismo.

Trecho do polêmico capítulo '100% Perspectiva!', também da autobiografia

Trecho do polêmico capítulo '100% Perspectiva!', também da autobiografia

Ziraldo: Você até escreveu o livro-reportagem bom pra cacete, e que ganhou o Jabuti de 2001, Rio 45 graus: nem na Barra nem na Favela, vê se eu tô na esquina

Caco: Ganhei o Jabuti com ele, sim. Esse livro foi uma antecipação do que eu fiz nas minhas memórias. O texto do livro não foi publicado no ângulo de 45 graus, mas foi pensado, Ziraldo, em 45 graus. Entende? Porque o extremo da favela em contraste com a Zona Sul formam 90 graus. Mais isso é fascista e frio.

Jaguar: Porra, geladaço!

Caco: Muito, demais. Então…eu pensei a reportagem como o meio termo humano, entre a falência da elite da Barra da Tijuca e a mortandade da favela, no meio dos 90 graus. 45. Pra mim, Ziraldo, isso é jornalismo. (Caco pede aspas só para o ‘j’, no início de jornalismo; 3 exclamações para ‘ornalis’ e para o ‘mo’ ele pedia alguma coisa quando o Jaguar e o Ziraldo caem bêbados no chão e a entrevista acaba.)

Good old neon

Abril 1, 2009 - Comentários desativados

Kohler lá em The Tunnel pergunta: «How do you speak to a ghost if you’re not an Elizabethan?» (p.148) Na verdade a pergunta é: «How do you eat a ghost if you’re not on power pills?»

It’s always seemed a little preposterous that Pac-Man, for all his paralyzing doubt about everything, never once doubts the reality of the ghost. p.900, IJ

I ate this!

I ate this!

Vou

Outubro 13, 2008 - Comentários desativados

«Construindo a Garagem». Uma análise da formação da identidade na sociedade pós-modernista com a leitura da canção In the Garage, da banda Weezer, como versão geek-indie d’A Construção (Der Bau), de Franz Kafka.

Se houvesse tal palestra, eu não só iria como estaria disposto a pagar boa quantia de moeda corrente. E se saísse vivo dela, melhor.

Herzoguismo

Outubro 10, 2008 - 3 Responses

Sofro de Herzoguismo. Herzoguismo Tipo Internet. Não sei se já é ou se será catalogado como disfunção pela psiquiatria. E imagino que a validação pelos profissionais pouco mudaria meu estado.

Moses Herzog, vocês bem sabem, é o sujeito aquele que, à beira do precipício da insanidade mental, começou a escrever cartas para todos: vivos ou mortos, famosos ou anônimos, comentários sobre a cultura e reclamações sobre um amigo que passou e não o cumprimentou. Por não se tratar de um resenha do livro do Bellow—coisa que eu poderia fazer facilmente em 300, 400, 500 páginas—, não entrarei nos motivos que levaram o personagem a fazer isso. Fico tão-só com a atitude: escrever e não mandar.

Falo sozinho quando digo que escrevo alguma coisa na caixa de comentários e depois não a publico? Acho que não. Não imagino ser o único que passa bons minutos lendo um post, pensado no tal post, organizando mentalmente um comentário, abrindo a caixa de comentários, expondo alguns argumentos e, na hora de mandar, fecha a janelinha ou sai da página para fazer outra coisa.

Muitos estão comigo. Só que eu vou além. Para que eu não repense o comentário, eu o salvo no bloco de notas para que eu o publique «mais tarde», coisa que raramente fiz. O arrefecimento na hora do envio tem as seguintes raízes: «depois eu mando», «nem ficou tão bom para publicar», «ah, que se dane, nem vou publicar merda nenhuma» etc. E lhes garanto que nada tem de vergonha. Os blogs nos quais eu esboço os comentários são os blogs que já desfrutaram da minha sabedoria. Por que, atentem!, o Herzoguismo não é um Bloqueio, mas antes uma Perda de Tempo Consciente e Voluntária: escrevo, leio, desaprovo e salvo.

Aos exemplos. Já comentei muitas coisas no Martelada, do Marcelo Träsel. E após este texto, resolvi cornetar o autor com isto:

Marcelo, ficção não é Wikipedia. Contar uma história não é apresentar a ata de reunião da ONU. É só uma história. Além disso, dizer que «talvez fosse bom notar que os persas e outras culturas asiáticas eram tão ou mais desenvolvidas do que o helenismo» não diz muita coisa. Imagino que a sua filmagem da invasão do Iraque não teria uma longa explicação sobre como os EUA eram mais desenvolvidos «à nível de democracia liberal». Não, claro que não. Assim é nos 300, que é mais uma história de «Província Uniforme X Império Multiforme». Nessas horas, dizer se é do Império ou da Província que emana a Verdade é pedir demais. Além disso, você diz que o filme sugere que «matar mensageiros é uma atitude correta, só porque eles são contra a cultura ocidental.» Só por que eles querem ESCRAVIZAR; ou eu preciso lembrar que os emissários persas não estavam convidando os espartanos para assinar o Protocolo de Kyoto? Abraço.

Eu não publiquei. Não tinha razão para não publicar. E nem para publicar o comentário. A questão é que, se bem me lembro, eu me dei conta que eu não o publicaria lá pelo meio dele. Ainda sim pensei «depois eu envio» e o salvei no bloco de notas. Não tendo motivo para não publicá-lo—ainda mais que quando tinha meu outro blog, eu comentava por lá—, minha indecisão e salvamento de comentários só podem ser explicados pelo Herzoguismo.

Outro exemplo: este texto do Ruy Goiaba me fez escrever isto:

Se José Ortega y Gasset foi uma linha média do Real Madrid dos 30, imagino que o maior pensador brasileiro tenha sido o Capitão Careca y Bozó, que, após seguir carreira no exército, resolveu partir para a filosofia, tornando-se um dos mentores da reabertura de 79, tendo-a idealizado ainda em 78.

Por também já ter comentado no puragoiaba, a explicação baseada no constrangimento não funciona. É Herzoguismo e nada mais.

Assim, meus amigos, eu sigo comentando e salvando; mesmo sem explicação, pois, eu sigo comentando e salvando. Meu arquivo herzoguiano deve passar de 30 comentários do bloco de notas—de comentários no blog do Alexandre Soares Silva a comentários nos blogs do Juca Kfouri e do Milton Neves! Às vezes me sinto como o cara que guarda as camisinhas que usou. Pior: o cara que guarda as camisinhas depois da masturbação. Talvez essa seja a melhor figura da situação.

Do seu pequeno vocabulário

Outubro 8, 2008 - Comentários desativados

Embora seja bem simples pegar uma palavra estranha no dicionário e colocá-la no texto para torná-lo mais charmoso, é impossível não ter um certo respeito por um autor quando nós o lemos e nele encontramos uma palavra da qual não fazemos a mais vaga idéia de que com ela possa querer dizer.

É como uma briga de gangues: você arremanga a camisa pensando em trocar uns bons socos e, do nada, alguém puxa uma estrela ninja e: “opa”, você pensa, “tem que respeitar aquele cara, ele tem algo que eu não tenho.”

É confortante imaginar que talvez ele nem saiba usar a estrela ninja; e que quem sabe ele até se corte sozinho e morra sem que ninguém o toque. Conforta, claro. Assim como é possível que o autor que usou uma palavra estranha também nem saiba que palavra é essa. Sim, também é possível.

Mas até que o cara da outra gangue se mate com sua própria estrela ninja, e o autor seja desmascarado, é impossível não se sentir levemente 害怕.